sábado, 13 de junho de 2009

1988/1990 Chico Mendes é assassinado



Chico Mendes é assassinado




Dezembro de 1988. Xapuri-AC. Acervo: Comissão Pastoral da Terra. Acervo Digital: Memorial dos Autonomistas. Cortesia: Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour.
Em 22 de dezembro, depois de percorrer várias regiões do Brasil, participando de seminários, palestras e congressos, Chico Mendes é assassinado no quintal de sua casa, deixando mulher e três filhos. A comoção mundial decorrente de sua morte cria uma enorme pressão sobre os organismos financeiros internacionais, que se vêem obrigados a repensar os investimentos na Amazônia e, especialmente, no Acre. A imprensa estrangeira noticia o crime e suas conseqüências com ampla cobertura. A opinião pública brasileira só se interessa pelo assunto depois.

1988 Premiação nos EUA, perseguição no Brasil



Premiação nos EUA, perseguição no Brasil




Chico Mendes recebendo o prêmio Sociedade Para um Mundo Melhor, em Washington-DC, EUA. 21-09-1987. Acervo: Fundação Chico Mendes. Acervo Digital: Memorial dos Autonomistas. Cortesia: Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour.
Com a atenção do movimento ambientalista internacional, Chico Mendes viaja para os EUA, onde é premiado por defender os povos da floresta. Lá, ele denuncia as políticas de desenvolvimento financiadas pelos bancos internacionais, que ameaçam índios e seringueiros ao desrespeitar as leis ambientais, destruindo suas terras e seus modos de vida. Quando Chico volta ao Brasil, fazendeiros e políticos o acusam de prejudicar o progresso do Acre, sobretudo depois que o Banco Interamericano de Desenvolvimento suspende o financiamento da estrada Porto Velho-Rio Branco.

1985 Pela união dos povos da floresta



Pela união dos povos da floresta




Chico Mendes e Lucélia Santos em reunião com o governador Flaviano Melo, no Palácio Rio Branco. Década de 1980. Acervo Digital: Memorial dos Autonomistas. Cortesia: Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour.
Acusado de incitar posseiros à violência e levado a julgamento no Tribunal Militar de Manaus, Chico Mendes se livra pela terceira vez da prisão preventiva. A criação do Conselho Nacional dos Seringueiros, do qual ele é a principal referência, gera repercussão nacional e internacional. A proposta de “união dos povos da floresta” busca unir índios e seringueiros em defesa da Amazônia. A idéia é que as reservas extrativistas preservem as áreas indígenas e garantam a reforma agrária desejada pelos seringueiros.

1980 A escalada da violência



A escalada da violência


Carteira do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, pertencente a Wilson Pinheiro. Acervo Digital: Memorial dos Autonomistas. Cortesia: Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour.
Em julho, é assassinado Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia. O crime desencadeia o mais grave período de conflitos da região. A revolta diante da morte do líder sindical vira um desejo de vingança. Um fazendeiro é assassinado. Chico Mendes, mesmo não tendo participado da emboscada, vê-se perseguido por pistoleiros durante 60 dias. Ele acabara de participar da fundação do braço acreano do Partido dos Trabalhadores e é um de seus dirigentes. A pedido de fazendeiros, a Polícia Federal submete Chico a duros interrogatórios. Em outubro, ele é enquadrado na Lei de Segurança Nacional.

1975 Chico Mendes e o começo de uma nova luta



Chico Mendes e o começo de uma nova luta


Chico Mendes no seringal Santa Fé, colocação Morada Nova. 1985. Acervo: Fundação Chico Mendes. Acervo Digital: Memorial dos Autonomistas. Cortesia: Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour.
Nos últimos 30 anos, o Acre se transformara num eldorado de grileiros, jagunços, marreteiros e empresários. Eles invadem e devastam as terras de índios, seringueiros, ribeirinhos e colonos em nome de um novo tipo incompreensível de progresso. A floresta, outrora fonte de riqueza, agora é desmatada para a criação extensiva de gado de corte. Famílias que trabalham nos seringais migram para as cidades. Formam-se, assim, os primeiros bairros populares do Acre, onde a miséria e a doença têm campo fértil para se espalhar.As populações tradicionais da floresta precisam desenvolver estratégias de resistência e, em 1975, começam a se organizar. Chico Mendes, filho de seringueiro, funda o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir do ano seguinte, como diretor da entidade, Chico começa a participar ativamente dos “empates”, resistência pacífica em que homens, mulheres e crianças se colocam à frente de tratores e motosserras para impedir a derrubada da mata e preservar seus modos de vida. Em 1979, Chico Mendes assume a presidência da Câmara por alguns meses, transformando-a num foro de debates entre lideranças sindicais e religiosas. Sob acusação de subversão, Chico sofre duros interrogatórios. Em outubro, sob tanta pressão, ele renuncia. O seringueiro chega a ser torturado secretamente em dezembro. Mas não desiste: Chico Mendes segue sua luta ao lado dos seringueiros nos empates.

1962 O Acre se torna estado



O Acre se torna estado


Governador José Augusto de Araújo. 01-03-1963. Acervo: Centro de Documentação e Informação Histórica – CDIH. Acervo Digital: Memorial dos Autonomistas. Cortesia: Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour.


Depois de muitas disputas no Congresso Nacional, é assinada a lei que transforma o Acre em estado. Os acreanos finalmente passam a ter os mesmos direitos de qualquer cidadão brasileiro.Já na primeira oportunidade de decidir soberanamente seus rumos políticos, o povo vai às urnas e elege o jovem acreano José Augusto, do PTB, o primeiro governador constitucional da história do Acre. Mas seu governo democrático duraria pouco mais de um ano, porque, de 1964 a 1982, a ditadura militar deixaria o Acre mais uma vez nas mãos de governantes escolhidos unilateralmente pelo poder central.

1945 Chega ao fim o segundo ciclo da borracha


Chega ao fim o segundo ciclo da borracha


Autonomistas. Cortesia: Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour.


Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA cancelam todos os acordos referentes à produção de borracha amazônica.Estima-se que dos 55 mil trabalhadores nordestinos atraídos pelo segundo ciclo da borracha, entre 15 mil e 20 mil morreram nos seringais ou nas brenhas da floresta. As tentativas de implementar relações de trabalho mais justas e humanas esbarraram nos interesses dos seringalistas. Em pouco menos de cinco anos, o Brasil passa a ter de importar borracha vegetal para suprir sua indústria de artefatos. E os seringais ficam nas mãos de especuladores de terra, cada vez mais atuantes na região.

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